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Sobre ter contas a pagar, estar sem dinheiro e duvidar de mim: a jornada de quem aproveitou o desemprego para ser mais feliz

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09/10/2017 - 12:23 | Publicado há 2 anos atrás

Eu sei o que é sair de uma entrevista com a garganta seca e saber não ter conseguido nada. Eu já pensei que deixaria minha família passar falta das coisas. Eu já achei que tivesse chegado ao fundo do poço.

Já houve um tempo em que caçar, pescar ou coletar alimentos na natureza era um dos trabalhos possíveis para os seres humanos. Hoje, todavia, praticamente tudo o que existe pertence a alguém, e não dá, simplesmente, para sair pegando o que a gente encontra no caminho. Então, é preciso trabalhar para viver.

Eu já estive desempregado mais de uma vez. Quando se tem uma poupança no banco dá para tentar a recolocação com algum critério técnico. Mas, à medida que só se gasta, e nada de cair um depósito na conta, a pressão e o desespero aumentam.

Eu sei o que é gastar muitas horas vasculhando sites de vagas. Perder a conta de quantos currículos foram enviados em um só dia. Perceber que os amigos se afastam, talvez constrangidos por não poderem ajudar. Em alguns casos, pode ser humilhante perguntar: “você sabe de alguma vaga?”

Já me senti ridículo treinando entrevistas na frente do espelho. Já perdi o entusiasmo ao repetir minhas realizações pela milésima vez. Já caí em contos do vigário e já duvidei das minhas capacidades.

Se você está nessa situação ou já passou por ela, sabe que o desemprego pode gerar muita frustração, angústia e pressa para conseguir uma nova colocação profissional. Em tempos de crise, muita gente acaba por se deixar vencer pelo desespero e não sabe como lidar com o desemprego. Afinal, a situação parece mais difícil do que nunca.

Atualmente, ajudo pessoas em suas carreiras. Não sei se é pela idade, experiência profissional ou pelas muitas horas de estudo e leitura, mas fico feliz por perceber, todos os dias, que consigo fazer a diferença na vida de alguém.

Esse artigo é uma forma de tentar ser útil. Se não servir para você, talvez sirva para alguém que você conheça. Compartilhe com seus amigos.

 

desempregoRecursos no fundo do poço

Na sociedade em que a gente vive, estar sem emprego é pior do que não ganhar dinheiro. Se vivemos nas grandes cidades, a coisa fica bem mais difícil. Tudo é longe, o transporte custa caro e o isolamento vai ficando cada vez pior. Parece que perdemos nosso lugar na sociedade.

No modelo mental que se sobressai no mundo, o desemprego é como se fosse uma situação de descontinuidade. É como se a vida, os planos ou mesmo as competências das pessoas ficassem em suspenso, aguardando uma nova recolocação para “tudo voltar ao normal”.

Tive um chefe que dizia que até o estrume tem uma função importante na natureza. E eu concordo com ele! Então, apesar das dificuldades que já concordamos serem muitas, talvez seja a hora de nos concentrarmos não nos problemas, mas no que é possível fazer com eles.

É difícil manter a mente aberta em situações de crise, mas acredite, várias formas de ganhar a vida existiam antes de o mundo adotar o modelo de emprego que conhecemos hoje. E se a revolução industrial não tivesse acontecido, e a humanidade tivesse evoluído para outras formas de sustento?

Em uma época de tanta transformação, como a que vivemos, será que procurar emprego da forma tradicional é o único caminho? E como se destacar em um mercado tão competitivo e com escassez de vagas formais?

Estamos na era da informação e do conhecimento. Já publicamos aqui sobre como o trabalho do futuro será baseado na economia compartilhada. E aí pode estar a chave para outras alternativas. Não pare de procurar emprego! Mas aproveite a situação para buscar opções.

Essa economia possibilita às pessoas obter renda por meio do compartilhamento de bens e talentos que já possuem. No Uber, o motorista põe o próprio carro para prestar o serviço de transporte. Como freelancer, o profissional usa aplicativos para divulgar, contratar e entregar seus serviços. Esse mercado já é bilionário, e o Brasil é o líder em serviços colaborativos na América Latina.

Nas linhas abaixo não falaremos mais sobre o desemprego, sobre isso você já leu bastante. Convido você a observar oportunidades que essa situação representa. Você não precisa depender de emprego para obter trabalho e renda.

 

Um mergulho profundo em você mesmo, suas competências e sua razão de serdesemprego

Essa é uma daquelas providências fundamentais para a carreira, que deveria ser periodicamente feita e revisada, mas a gente nunca tem tempo para ela.

Temos a impressão que sabemos tudo a respeito de nós mesmos, mas isso é um grande engano. Como escreveu Murray Stein em Jung – O Mapa da Alma:

“(…) muito do que passa por ser conhecimento entre os seres humanos é, na realidade, mero preconceito ou crença baseada em distorção, prevenção, boato, especulação ou pura fantasia”.

Em outras palavras, nossa mente nos engana quando passa a sensação de saber o que acontece conosco. Na verdade, sabemos pouco, muito menos do que conseguimos admitir, a respeito de quem somos e de por que fazemos o que fazemos.

No período em que estamos sem emprego, normalmente estamos também sem rotina. E essa é uma oportunidade de ouro para, como se diz, pensar na vida. A rotina é boa para uma série de coisas. Mas ocupa o nosso tempo e não permite muita reflexão.

Resumindo, não tenha medo de aproveitar a situação para fazer uma jornada de autoconhecimento.

Faça um levantamento de tudo o que você já conquistou profissionalmente. Quais são seus pontos fortes e fracos? O que você aprendeu com as experiências que já teve? Quais habilidades desenvolveu? Que soluções você gerou nos lugares em que esteve empregado? Você está feliz com sua carreira? Seja específico.

Existem várias ferramentas que podem ajudar você nesse processo. Se puder, procure a assistência de um profissional da área de psicologia ou coaching. Somente eles têm treinamento e habilitação correta para dar este tipo de apoio.

Mas, também, é possível fazer muita coisa por conta própria. Na internet você encontra testes de personalidade gratuitos. Vou colocar 3 que considero bons aqui para você:

 

Mas, atenção! Todo teste é apenas uma ferramenta de medição. E os testes de personalidade estão longe de serem exatos como uma régua ou um relógio. O objetivo é se conhecer melhor e refletir sobre as suas possibilidades. Mantenha a cabeça aberta e divirta-se no processo.

Conhecer detalhes sobre suas preferências e seu comportamento é fundamental, seja para definir que tipo de vaga você vai procurar, que tipo de negócio você quer montar, ou ainda: qual é seu maior talento e como você pode utilizá-lo para ganhar dinheiro sem depender de uma vaga formal.

Pode parecer estranho, mas a vida raramente oferece a chance para pesquisarmos o que, de verdade, gostamos de fazer, o que nos faz mais feliz. Para a maioria das pessoas, o trabalho é uma obrigação e não tem muita escolha. É trabalhar, e pronto! Mas a ciência já demonstrou e os bons gestores e recrutadores das empresas sabem: quem faz o que gosta tem mais sucesso. E não o contrário!

Pergunte para a sua família e amigos. Às vezes os outros têm uma percepção nossa que desconhecemos, seja ela boa ou ruim. Talvez os seus amigos achem que você saiba dar conselhos ótimos, que seja um ótimo comunicador, ou que seja muito bom em organizar eventos, por exemplo.

Eles podem mostrar como você sempre teve talento para a cozinha, ou para se apresentar em público, e coisas nas quais você nem considerava que poderia se destacar fazendo. É claro que, depois de reunir essas opiniões, você deve avaliar o que realmente é adequado para este seu momento e onde você quer chegar.

Na próxima entrevista ou chance de trabalho que aparecer, você poderá dizer: Esse período de transição tem sido muito útil para eu rever minha trajetória e ter certeza dos caminhos que quero tomar.

Isso pega muito bem. Só precisa ser verdadeiro e coerente com o restante do seu discurso.

 

desempregoNovos caminhos

A essência desse artigo é provocar você a encontrar novas oportunidades de trabalho e renda. Como diz Fernando Pessoa:

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

Depois de avaliar quem você é e o que já fez até agora, escolha o melhor rumo que você pode dar para a sua vida de trabalho, para assim poder definir os meios de alcançar o que deseja.

Calma! Não precisa planejar cada detalhe de hoje até o fim dos tempos. Mas visualize as suas ambições para agora e para um futuro próximo, pois você precisa agir. Tudo bem se mudar de ideia no meio do caminho.

Evite enviar currículos para qualquer vaga que encontrar pela frente. Isso depõe contra você!

Todos sabemos que as empresas e clientes valorizam profissionais com objetivos sólidos. Mas, talvez você não saiba que os recrutadores têm o olho aguçado para descobrir e rejeitar as pessoas que aceitam “qualquer coisa”. Não critique os recrutadores. Eles estão cumprindo um papel. Se você demonstra que qualquer coisa serve, trocará rápido essa colocação por outra mais adequada, assim que aparecer.

Ao invés disso, procure descobrir o que você, realmente, faz de forma diferenciada, melhor do que seus concorrentes. Isso pode parecer óbvio, mas não é. E pode ser uma excelente razão para procurar as pessoas que você conhece, antigos chefes ou colegas que o conheçam bem. Não peça empregos! Peça ajuda para encontrar seu diferencial. Se elas puderem ajudar com indicações farão isso naturalmente. Não seja mais um.

Se você tem produções como textos, fotos, artigos e/ou projetos, vale a pena fazer um portfólio ou blog e adicionar ao seu currículo. Você também pode incluir soluções que pode oferecer como freelancer. Se gosta de escrever, produza artigos sobre a sua área e publique no LinkedIn e/ou Facebook. Deixe público. Mostre que você está atualizado.

BÔNUS – estes são alguns sites gratuitos para a montagem de portfólios:

 

Para terminar, seja otimista!desemprego

Eu sei que é difícil, mas não limite sua vida a procurar emprego. Acredite: você vai surtar! É um período em que é muito fácil ficar triste e se isolar. Tire algumas horas do dia para se dedicar à procura por vagas, busca por clientes e desenvolvimento das suas habilidades, mas também tire um tempo para você.

Cuide do seu estado de espírito. Passe tempo com a família e amigos, pratique algum hobbie, medite, leia coisas interessantes, faça exercícios físicos.

O mercado sempre foi desafiador e as crises são inevitáveis. A única coisa que você pode controlar é como vai lidar com as adversidades que aparecem. Aqui em Carreira & Felicidade ensinamos as pessoas a não depender do emprego formal. Podemos te ajudar com seu processo de autoavaliação e descoberta. Entre em contato com a gente para nos contar o seu maior desafio do momento. Escreva para contato@carrreiraefelicidade.com.br.

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Obrigado pela leitura e até a próxima!

Por Enes Vilela, coach e executivo de Recursos Humanos. Fundador do blog Carreira & Felicidade e da empresa Rede Especialista, lida há 20 anos com gestão de carreira e atuou na formação de mais de oito mil trabalhadores.

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